terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rien de Rien



Abajour vermelho, chapéu por cima.
quarto escuro.
um cigarro. Um vestido longo com rendas na cintura.
cabelo assanhado. e uma música. Non, Je Ne Regrette Rien.


performance da pré-montagem.
será vício ou experimento? Toda semana vivendo um momento.
descobri, assim que tenho vividos muitas rendas toda semana.
uma difere da outra.

pois, por assim dizer, tenho certeza que assim o é... em processo criativo.
permissão para as cores, os movimentos, as rendas e até o abismo.
como se chegasse até a ponta. e ao debruçar-se... voltasse. Retornar ao zero.

Je repars à zéro...

sábado, 23 de outubro de 2010



A gente SERRA o Brasil ou acaba tudo DILMA vez?

Só nos resta as piadas!
Atentados políticos que mudaram a história, Alpino via Yahoo! Colunistas

"Ao atentar contra a vida de um político, tendo êxito ou não, o indivíduo sabe que seu ato poderá alterar o curso da história."

(rsrs.)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

enlatada.




hoje. um dia em pó. assoprou passou.
pó. puramente pó. sem valor nenhum.
uma tarde sem eira nem beira, sem sentido.
pensei: por que acordei hoje?

em estado de formiga tudo passa.
eu não devia depender do tempo. às pressas tudo sai inaudível.
como é horrível ficar sem escutar o mundo.
e achar que ele não te ouve.

pela primeira vez percebi que o ouvido é peça chave pra nos compreendermos.
por isso que o mundo e nossas relações andam doentes.
falta ouvidos.
falta ouvir.

estou vivendo dentro de minha cabeça. e tudo está meio sem som.
tudo está meio em pó. sem vida. seco e vazio.

pra complemento: pó de guaraná.
brindando o dia.

sábado, 16 de outubro de 2010

fato.




prefiro não suportar incômodos.
eles que me suportem. minha cabeça não é forte o suficiente para carregar indolências.

não é de hoje que nascem flores entres os dedos dos meus pés e eu me admiro com isso.
tudo é tão inusitado, como não conseguir atravessar a rua a tempo e preder o horário.
ou atravessar atrasado e ter surpresas do outro lado.
qual.?
se não adianta, nada de mim, vindo de mim, sim... me surpreende.

nunca precisei de terapia, sempre entendi as coisas que sinto. verdade. a gente sabe realmente o que sente. vamos ser sinceros.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Melancia com passas.


Arrepende e passa.
no começo é só água.
em novo compasso.
passo.
em dias de contradição. o que falo, faço... não é o que penso.
como remoer arrependimentos? como?
o que enxergo já passou. por isso não posso agarrá-lo. mudar.

é fruta mordida de sabor dissonante.
é fruta de pura água.
melancia.

enxuga os lábios. e o gosto se foi.
eu almejo outra vida. e ela se vai todo dia. de mim se esvai.
envaidece no meu desejo.

como? como posso querer o que já se passou.
arrepender é a palavra mais feia que já me ocorreu.

domingo, 25 de abril de 2010

sublime

acordou agora
dentro de mim

um sentido
uma razão

uma alegria
uma verdade

e por mais que tenha acordado
dentro de mim
ainda há sonhos adormecidos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

por conta de uma agulha

eu adoro agulhas.
sentir aquela picadinha dormente no braço.
tomei minha vacina ontem.

mas seus efeitos de moleza e dor não me escondem o sorrizo.
algo que tenho de mais valioso.

um sorrizo preenchido, além de minha boca, por meus olhos... ávidos!
eu vi bolinhas lilás... que me surpreendeu de cor...

e mãos que de tão macias me sufocaram...

me sufocam o coração.

ê! recebi uma vacina com particulas de um vírus que me roem
bem aqui dentro do peito.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

eu dou passagem



de forma que o passado não é um monstro que me espia pelo espelho.
passei anos para descobrir que aquela minha imagem refletida,
não era forma. não era corpo. não ERA.

o passado tem saudade de já ter sido presente.


é tão estranho senti o cheiro do que já se foi. do que já passou.
peço permissão aos bons momentos e as melhores pessoas, para dizer que
eu o olho com incompatibilidade ao que sou hoje.

por isso: o chamo repúdio.

o passado é até onde minhas lembranças alcançam.

terça-feira, 30 de março de 2010

Música: Até a Lua (linda!!!)

Até a Lua

(Ana Maria Carvalho)

Eu já falei com os olhos
Que te amo e você não ouviu
Eu já falei com as mãos
Que te quero e você não sentiu
Eu já fui até a lua pra tentar te convencer
E acabei conquistando a lua
Só não conquistei você
Eu já fui até a lua pra tentar te convencer
E acabei namorando a lua
Só não namorei você.


O que a gente sente pelas pessoas, não é limitado à convenções sociais.

não é isso. ou aquilo. é muito mais. são outras coisas.

o que eu sinto: sou eu, somente eu que defino.


sexta-feira, 26 de março de 2010

aos deuses, ou aqueles que os são em formas de gente.

"quem dera ser um peixe, para em teu límpido aquário mergulhar..."

praça verde lotada. chuva de relâmpagos e trovoadas.
e nós... só "Fagneando". "...desejo pegando fogo..."

a mochila tava pesando nas costas, minhas pernas exaustas da manifestação e da apresentação poucos minutos antes.

mas quem liga? energias boas foi o que eu senti ali, ontem. aliás desde cedo eu já sentia.

"Pra ser feliz no lugar, pra sorrir e cantar, tanta coisa a gente inventa..."

eu inventei ontem. me reinventei de forças!

quarta-feira, 24 de março de 2010

eu o derreto na minha boca.
o batom.
meu corpo o suga ardente.
o perfume.
meu peito o agarra e aperta.
o coração.

depois, vem você dizendo:
"no amor, o muito é pouco"




o pouco já é muito.

sexta-feira, 19 de março de 2010

assisti nesta quarta, mais uma vez, o espetáculo Concerto de Ispinho e Fulô. tão lindo. fala sobre a vida do Patativa dentre outras coisas...

dentre outras coisas lindas da vida.
dentre outras coisas essa música.
dentre outras coisas ela é linda.
dentre outras coisas eu falo através dela.

ESTRADA DO SERTÃO
joão pernambuco e hermínio bello de carvalho

Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber

Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você

Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor

Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.

Canta firme juriti
Vê se entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem junto do meu coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vóis meçê

Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.

quarta-feira, 17 de março de 2010

e pensar que pecado é não pensar.

por que pra mim não pensar dói.
é engraçado, que antes de ter saudade
já estou com ela deitada, deleitada na sua angústia.
espero a menos uma despedida visual
até por que olhos não se despedem,
choram.

essa semana serei toda água.
mar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

de cinzas

engrandecido.
com raiva acordou engradecido com o suspiro que deu ontem.
afinal, raiva não é um sentimento ruim.
é desbravador.

até estourar-me as veias.
eu não publico suspiros, por que eles podem ser perigosos.

acordou engrandecido, mas com vontade de ser um feijão.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para quem eu canto

Eu que me completo com teus olhos
percebo infinita cor de um querer
Leve e naturalmente bem querer...

Eles que me fitam e eu não sei
Se é brumoso esse teu olhar
Verdadeiro e súbito duvidoso
Faz até em mim lacrimejar

Agora é teu pulso que me fita
e chacoalha pra eu te olhar
Esses olhos que já são meus
São também vidros a me cortar

É gostoso ouvir a tua voz
quando ela insiste em me chamar
E eu insana e loucamente
Penso que é só meu esse teu cantar

Mas agora vejo um pouco torto
e começo a me acostumar
Esses olhos que eram só meus
Voam longe quando quero te amar

domingo, 17 de janeiro de 2010

Até um bicho lida com o tempo!


Em tempo dos tempos...

O tempo transcende a própria matéria do concreto

Penetra na áurea do etéreo

Atinge a alma humana

Transborda de palavras até o tempo do sempre

Tempo... Que no sertão arcaico é tão misterioso

Que pro navegante sertanejo

É linguagem da terra

Tempo...

Pra José, pra Francisquinha

Pros Josés, pras Marias

Valdevinos divinos transcendentes

Ascendentes

Depositados no mundo

Sempre a margem, sempre a beira...

... dos sonhos, das esperas, das saudades...

Dos seus heróis (pais, avós...)

Sempre fazendo ausência

Pra eles, pra nós, pra mim

A morte e a vida

Pulsam feito vagalumes

Piscando na noite

Nos encontros o tempo é suspenso

A alegria é ali

Em mãos, abraços

Miligramas de palavras

Tempo...

Num salão a sombra de uma mangueira

Onde o real não pertence a realidade...

Vida!

Explode... engolindo auroras para festa não acabar...

Eruditos, vagabundos dionisíacos

Vocês... como a arte e o amor

São o desequilíbrio da vida!

( Guardamos cá um segredo, do lado esquerdo do peito, uma boa dosagem de uma delirante Vida Valdeviniana)