sexta-feira, 18 de maio de 2012

comentário inútil

voz de sal.
e salgada saiu na fala por que falava de mim pra outro.
e eu me calei.
aquela água do mar que você engole depois de um mergulho ruim.
não sei onde vai minha vontade. ela vive em mim, mas não sei onde ela se esconde.
ela se esconde. mesmo quando não a procuro.
 não tem nada doce aqui. é gosto de sal mesmo.
e áspero, por que parece não pronunciar-me.

não tem querer, nem vontade de escrever.


sábado, 7 de abril de 2012

Miragem


E eu não entendia o rodopio do catavento...


Infindo no início era o começo que terminava.
E aí eu buscava o retorno pra tudo isso e a música não parava de rodar no disco, mesmo fora da tomada.

Eu precisava era de uma energia frouxa que me arrancasse do peito um sentimento denso e confuso que parava o tempo e me fazia franzir a testa. E a ansiedade doce daqueles dias havia me dado dor de cabeça. Eu precisava era voltar mesmo para o início, e evitá-lo ser.

Meu corpo foi sempre percusso de caminhos tortuosos e inexatos. Pedregulhos de ilusões e confusões de uma cabeça que não sabe ao certo o que é o amor. Inocência adulta e imatura. E assim sempre num retorno de algo que nunca começa. Porque se engancha engasgada na garganta. Arranhando, sabe? E ardendo feito pimenta besta de beira de estrada.

Eu sempre sei quando começa essa coisa que não passa, mas se finda. Começa quando não sei onde dizer, e tudo fica incerto, parado, numa poesia. Assim se precisa de distância pra encontrar a artificialidade do verbo. O que se diz tem que ser amado de imediato. Depois se esquece, por que vira matéria que não se guarda.

Eu guardei, e agora perco, solto, pois encontrei o inverso disso. Porque agora entendi. E entender, pra mim, é violação de uma utopia.

Na demora quando eu entendo é o fim infindo de um começo.

Continua.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Arrudiando"


Tenho em mim o que se agrava a cada instante.
O que falo precipita o meu sentimento diante das coisas.
É o que se agrava. Precipitação.
Pareço sonhar-me, idolatria própria. Quando ponho os olhos no que quero.
Os olhos de mim, não os que tenho a vista.
O que acumula quando quero, vem de dentro pra fora. Não sei segurar.
Desejo. Não sei segurar.
Desejo foi feito pra ganhar liberdade. E nem existe liberdade sem desejo.
Agrava e acumula. É assim que meu corpo acorda todos os dias. Acumulado. Não sei de quê.
Mas sei. Meu orgulho é que esconde.

Necessito mais de mim. Ou do mim, á mim. Minto.
Essa é uma 'desqualidade' agravada que tenho. Minto sim.
E qual seria minha qualidade se não mentisse a verdade?
Não é defeito. É falta de qualidade. 

Quem tem orgulho mente a si mesmo. E comemora as vitórias desqualificadas de uma mentira.

Hoje, o dia anoitece que nem dor miúda. Aquela que só a gente sabe onde dá.
Que só a gente sabe omitir ou mentir.

Boa noite. Insisto: Boa noite.