Ontem deixei um choro
Amarrado à minha garganta
E ao bocejar hoje, pela manhã,
Engoli.
O fato é que não tenho ideia
De como digerir uma tristeza,
Que mal sabia eu,
O que ela era.
Eu acho que escondo
Todos os dias
Aquele verbo
Que alimenta a vida.
Porque parece que eu
Não estou sentindo
Nem as gotas de um banho de chuva
Que tomei agora a tarde.
Ela, que talvez banhasse
Os meus espaços vazios
Pingava compassadamente
Pra não tocar nem meus olhos.
Eu não comi minha alegria
Eu não comi meu sabor
Eu não comi o que acredito
Eu não comi minha coragem.
Senão, estaria tudo dentro de mim
Queimando junto,
Junto à acidez do meu estômago
E eu me sentiria viva.
E viva não estou!
Não estou, porque não há verdade
Que dê limite ao meu corpo:
Aos poucos, acho que deixo ele ir...
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