Eu emprestei as palavras mais doces
mais lindas
que aprendi sonhando.
Eu emprestei e não me devolveram.
Não que eu as merecesse de qualquer forma
Nem que elas fossem minhas de qualquer jeito.
Mas eu aprendi sonhando, as prendi em sonhos.
Eu emprestei e não me devolveram.
Agora meus sonhos estão vazios
E inúteis
Como poeira de armários velhos
E que basta um sopro para ela nem mais existir.
Não me devolveram
a
a
o
o
os
os
as
a
Nem me peçam pra dizer.
Em cada vazio desse ainda sei quem e quais elas são
Mas não as tenho mais.
Estou num verdadeiro caminho
Tortuoso de espera
De ansiedade
De medo.
Me devolvam
Vos peço.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
A vida que me é dada.
Agogô...
Seu batuque leve e remexido.
Um som que desenha um caminhar.
Eu caminho assim, feito água mole.
E é de água essa vida.
Não se sabe pra onde esse rio corre.
Nem se sabe quando a gente vai se afogar.
Nem se vê como e quanto tempo ele passa.
É água.
Forte, calma, bravia, cheinha, pouquinha...
Um arrepio, um silêncio.
Vida como onda besta.
Lava e leva.
Então vem um pensamento.
Se perceber parado com água-viva.
Se perceber parado com água-viva.
Prestar atenção numa respiração de um corpo que é só matéria.
E tudo a terra vem.
E tudo a terra come.
E tudo a terra come.
O que se segue?
Aquilo que se remexia como batuque de agogô, cadê?
Matéria não era.
Era água, tenho certeza.
Água não morre. Água seca.
Mas, depois brota feito mato no chão.
Depois, cai do céu cheinha feito manga madura.
Tchá! Cheinha.
A natureza que tudo dá. A natureza que tudo leva.
Estou intrigada dela.
"Não me tome o que já me deu, o que já é meu." - Eu pediria.
Mas me desculpe.
Eu sei que essa vida é de brinquedo.
E continua.
Continua.
Nua.
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