quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fome

Ontem deixei um choro
Amarrado à minha garganta
E ao bocejar hoje, pela manhã,
Engoli.

O fato é que não tenho ideia
De como digerir uma tristeza,
Que mal sabia eu,
O que ela era.

Eu acho que escondo
Todos os dias
Aquele verbo
Que alimenta a vida.

Porque parece que eu
Não estou sentindo
Nem as gotas de um banho de chuva
Que tomei agora a tarde.

Ela, que talvez banhasse
Os meus espaços vazios
Pingava compassadamente
Pra não tocar nem meus olhos.

Eu não comi minha alegria
Eu não comi meu sabor
Eu não comi o que acredito
Eu não comi minha coragem.

Senão, estaria tudo dentro de mim
Queimando junto,
Junto à acidez do meu estômago
E eu me sentiria viva.

E viva não estou!
Não estou, porque não há verdade
Que dê limite ao meu corpo:
Aos poucos, acho que deixo ele ir...