Em tempo dos tempos...
O tempo transcende a própria matéria do concreto
Penetra na áurea do etéreo
Atinge a alma humana
Transborda de palavras até o tempo do sempre
Tempo... Que no sertão arcaico é tão misterioso
Que pro navegante sertanejo
É linguagem da terra
Tempo...
Pra José, pra Francisquinha
Pros Josés, pras Marias
Valdevinos divinos transcendentes
Ascendentes
Depositados no mundo
Sempre a margem, sempre a beira...
... dos sonhos, das esperas, das saudades...
Dos seus heróis (pais, avós...)
Sempre fazendo ausência
Pra eles, pra nós, pra mim
A morte e a vida
Pulsam feito vagalumes
Piscando na noite
Nos encontros o tempo é suspenso
A alegria é ali
Em mãos, abraços
Miligramas de palavras
Tempo...
Num salão a sombra de uma mangueira
Onde o real não pertence a realidade...
Vida!
Explode... engolindo auroras para festa não acabar...
Eruditos, vagabundos dionisíacos
Vocês... como a arte e o amor
São o desequilíbrio da vida!
( Guardamos cá um segredo, do lado esquerdo do peito, uma boa dosagem de uma delirante Vida Valdeviniana)