terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A vida que me é dada.




Agogô...
Seu batuque leve e remexido.
Um som que desenha um caminhar. 

Eu caminho assim, feito água mole.
E é de água essa vida.
Não se sabe pra onde esse rio corre.
Nem se sabe quando a gente vai se afogar.
Nem se vê como e quanto tempo ele passa.

É água. 
Forte, calma, bravia, cheinha, pouquinha...
Um arrepio, um silêncio.

Vida como onda besta.
Lava e leva.

Então vem um pensamento.
Se perceber parado com água-viva.
Prestar atenção numa respiração de um corpo que é só matéria.
E tudo a terra vem.
E tudo a terra come.
O que se segue?

Aquilo que se remexia como batuque de agogô, cadê?
Matéria não era.
Era água, tenho certeza.
Água não morre. Água seca.
Mas, depois brota feito mato no chão.
Depois, cai do céu cheinha feito manga madura.
Tchá! Cheinha.

A natureza que tudo dá. A natureza que tudo leva.
Estou intrigada dela.

"Não me tome o que já me deu, o que já é meu." - Eu pediria.
Mas me desculpe.
Eu sei que essa vida é de brinquedo.
E continua.
Continua.
Nua.