sábado, 18 de outubro de 2008

Três em um... para entendermos Medéia...

fotos: Jasão e os Argonautas, Medéia, e a entrega do tosão de ouro (velocino de ouro).


Os mitos: O Velocino de Ouro, Jasão e os Argonautas, e Medéia.

O ciclo dos Argonautas se organizou em volta da pessoa de Jasão, herói tipicamente tessaliano, descendente de Eólio. Seu pai, Aesão, ou Esão, era rei de Iolcos que ficava ao pé do monte Pélion. Ele havia sido destronado pelo seu meio-irmão Pelias, filho de Poseidon. Jasão, como a maioria dos heróis lendários, havia sido criado pelo Centauro Quirón, que lhe ensinara, entre outras ciências, a medicina. Quando se tornou adulto, Jasão apresentou-se à corte de Iolcos, sem revelar sua identidade. Coberto com uma pele de pantera segurava duas lanças e tinha o pé esquerdo descalço. Seu tio Pelias, celebrava um sacrifício e quando o viu lembrou-se de um oráculo que lhe aconselhara em tomar cuidado com o "homem de uma sandália só". Perguntou-lhe então, que castigo imporia a um súdito que conspirasse contra seu rei. Jasão respondera que o mandaria conquistar o velocino de ouro. Pelias dissera então, que de acordo com todas as probabilidades ele, Jasão era o súdito e culpado, acabando por condenar a si próprio.

O Velocino de Ouro, na qual sua conquista era tão temível, era então, um carneiro divino alado que Hermes dera de presente a Nefele, a primeira mulher do rei Atamas. Quando Ino a segunda mulher do rei, conseguiu com suas maquinações, que os dois filhos de Nefele, Frixo e Hele, fossem sacrificados para livrar o país de uma pretensa esterilidade, Nefele os dera o carneiro divino, que os levou pelos ares, para salvá-los. Durante a viagem Hele caíra no mar e afogara-se, tomando assim, o estreito, o nome de Helesponto (o mar de Hele). Mas seu irmão Frixo chegou a salvo na região do Cáucaso, em Colcos, onde, no bosque sagrado de Ares, sacrificou o carneiro a Zeus e consagrou o velo animal que era de lã de ouro. O rei de Colcos, Eete guarda ciosamente o velocino.

Esse era o castigo imposto por Pélias a Jasão, a conquista desse velocino. Jasão então começou a organizar a expedição e pediu ajuda a Argos, filho de Frixo. E aconselhado por Atena, Argos começou a construir uma embarcação. Esse barco, A Nave Argos, possuía propriedades maravilhosas. Jasão reuniu um grande número de companheiros, que se chamavam os Argonautas ou navegantes de argos. Tornaram os principais heróis da idade imediatamente anterior à Guerra de Tróia. Os argonautas mais célebres que desempenharam papéis importantes na aventura são o cantor trácio Orfeu, os filhos de Boreas, Calai e Zetes, os filhos de Tíndaro, Castor e Pólux, e seus primos, Idas e Linceu, filhos de Afareu. O adivinho oficial da expedição era Idmon, filho de Arbas.

A viagem começou favorável. A primeira escala foi a ilha de Lemnos, onde nessa época, só encontravam-se mulheres. Estas, devido a uma praga de Afrodite, haviam suprimido a todos os homens e encontravam dificuldades de perpetuar a raça. Os Argonautas foram bem acolhidos e lhe deram filhos. Depois se dirigiram para o Helesponto. O rei dos Doliões, Cizico, os recebeu com hospitalidade em sua terra. Porém, na noite seguinte quando os argonautas continuaram sua viagem ventos contrários os trouxeram de volta e os Doliões, por causa da noite escura, não os reconheceram e investiram contra eles tomando por piratas. Na luta Cizico, o rei, foi morto por Jasão. Quando o dia clareou, todos perceberam o engano e reconheceram seus erros. Os Argonautas, durante três dias fizeram magníficos funerais a o rei e deram jogos fúnebres em sua honra.

Em outra das etapas, no país de Bebricios, Pólux foi desfiado pelo rei Amico e venceu. No dia seguinte, Argo foi apanhada por uma tempestade e obrigada a fazer escala na costa da Tracia, no reino de Fineu. Era este um adivinho cego, a quem os deuses tinham lançado uma singular praga: cada vez que punham a sua frente uma mesa coberta de finos manjares, as Harpias, que são seres rapazes, precipitavam-se sobre eles, e tomavam uma parte e sujavam com seus excrementos o que não podiam levar. Os Argonautas pediram a Fineu que os informasse sobre o resultado da expedição. Mas Fineu só falaria se eles o livrassem das Harpias. Calais e Zetes, que eram alados, foram atrás dos monstros, os alcançando nas ilhas Strofades, lhes fizeram jurar por Stix que nunca mais importunariam o rei. Fineu então revelou aos seus libertadores que ficassem atentos as Rochas Azuis (as Cianéas) que podiam esmagar a sua embarcação, pois eram rochedos errantes que se chocavam uns contra os outros na passagem dos navegantes.

Assim, quando encontram o rochedo os navegantes, para ver a escolha dos deuses, soltaram uma pomba que vôo em direção da Cianéas que se fecharam e só arrancaram uma peninha da cauda da ave. Os argonautas tentaram a passagem e quando as cochas fecharam apenas uma tábua da proa foi danificada. As Cianéas desde dessa época permaneceram imóveis, pois o seu destino queria que o movimento se findasse logo após que uma embarcação passasse por elas. Após algumas outras escalas eis que os argonautas chegam ao reino de Eetes, em Colcos. Jasão expôs o motivo de sua vinda. Eetes não recusou o pedido, mas antes de lhe entregar o velocino de ouro, impôs como condição ao Herói, sem nenhum auxílio, subjugasse dois touros de cascos de bronze que sopravam fogo pelas ventas e de uma velocidade estrema. O rei que esperava que o herói desistisse, acrescentou mais uma prova, deveria com os dois touros lavrar um campo e semear nele os dentes do dragão de Ares.

Jasão sem saber ficou pensado em com venceria esses monstros, quando a filha do rei, Medéia, veio em seu auxílio, deu-lhe um bálsamo mágico com o qual deveria usar para evitar queimaduras e se tornar invulnerável. Assim premunido Jasão conseguiu domar os dois touros, lavrar o campo e semear os dentes. Destes dentes saiu uma messe humana, de guerreiros armados, como lhe havia avisado anteriormente Medéia, Jasão então lançou sobre eles uma pedra, então os guerreiros acusaram-se entre si e mataram-se uns aos outros.

Porém o rei não cumpriu com a sua palavra e estava prestes a incendiar Argo quando Jasão apoderou-se do velocino com a ajuda de Medéia e fugiu. Levou Medéia consigo que por sua vez, levou seu irmão menor Absirto. Para atrasar as buscas do rei, Medéia matou seu irmão espalhando os membros pelo mar. Eetes que se demorara a recolher, quando terminou já era tarde para alcançar os fugitivos.

Os argonautas penetraram de novo no Mediterrâneo. A voz de Argos lhes revelara que Zeus estava muito irritado com o assassínio de Absirto e que eles deviam purificar-se junto da maga Circe, que era irmã de Eetes e, por conseguinte tia da criança e Medéia. Obedecendo, fizeram escala na terra de Circe. Circe os purificou e o navio pode seguir caminho. Atravessando o mar das sereias Orfeu cantou uma melodia tão bela que ninguém teve vontade de ouvir a voz das feiticeiras. Uma tempestade os arrastou para as praias das Sirtas, na costa da Líbia. Tiveram para abrigar-se de transportar o navio nos ombros até o lago Tritão, deus do lago, mostrou-lhes então uma saída pela qual foram ter o mar aberto. De lá quiseram abordar Creta, mas o gigante Talo, cujo corpo era de bronze, proibiu-lhes o acesso da ilha. Então Medéia, com suas bruxarias, tanto fez, que Talo rasgou seu tornozelo nas rochas (seu único ponto vulnerável) e morreu. Os argonautas acamparam a margem depois de e erguerem um santuário a Atenas Minoana. Por fim mais um dia de mar e chegaram de volta a Iolcos.

Mas, as aventuras de Medéia e Jasão não terminaram. Medéia decidiu vingar-se de Pelias e persuadiu suas filhas que poderia rejuvenescer seu pai. Para isso, mostrou-lhes um velho carneiro, Medéia o matou e ferveu-o num caldeirão com ervas mágicas, dali sal um carneirinho novo. Então as filhas de Pelias esquartejaram o pai e o ferveram. Mas, Pelias não mais voltou.

Jasão e Medéia após esse crime foram banidos de Iolcos e retiraram-se para Corinto, onde viveram algum tempo, até o dia em que o rei do país, Creonte, quis dar sua filha em casamento a Jasão. Medéia, sofrendo de amor, fingiu consentir, e entregou a sua rival uma roupa impregnada de venenos que a abrasou e incendiou o palácio todo. Para completar sua vingança a Jasão, matou seus próprios filhos que teve com ele e fugiu num carro volante. No fim da vida, após uma estada em Atenas, junto de Egeu, pai de Teseu, a vemos de novo em Colcos, onde restitui o reino a Eetes, que havia sido despojado pelo irmão Perses.


Leitura do livro Mitologia Grega de Pierre Grimal

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