
já também é espera. assim como o som espera o tempo.
cada segundo de música é uma espera.
cada palavra de uma poesia é uma espera.
cada coisa que eu disse foi uma espera.
mas eu não espero.
por que eu desconheço. e o que eu desconheço, não tem tempo.
não para mim.
eu odeio esperas. e ultimamente elas estão urgentemente à minha procura.
nunca vi uma espera derramar-se numa urgência.
então o passo se desfaz, de tão urgente ele não se completa.
Sabe o que é isso? É quando a gente não sabe o valor de uma passagem.
É quando a gente não sabe o valor do que não acontece.
O valor do que fica à beira.
Valor de urgência desmedida. que se finda, talvez no tempo preciso.
estou falando de tudo aquilo que vivemos. um encontro. um aviso. uma conversa.
ainda: uma amizade, um quase amor, um livro de que se goste.
ou um lugar, por duas vezes ele mesmo.
tudo que se escreve para falar de tempo, de urgência, de espera deve-se conter vírgula.
nunca tinha percebido a urgência tão próxima da espera,
e nem mesmo que elas duas coubessem em tantos silêncios.
mas ainda espero que elas fiquem mesmo guardadas como no fundo de um armário.
em silêncio profundo.
em absoluto estado de tempo e dormência
e feto
e pedra
e vírgula ,
3 comentários:
amei!!! e as esperas pra mim andam sendo como um dente da frente quebrado. até adoeço em tento espera. ensinaram-me a paciência.mas isso é outro assunto. beijos, bela donna!
E a Ultima palavra sempre será o silêncio...
E a Ultima palavra sempre será o silencio...
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