sábado, 5 de novembro de 2011

Quase morta.

'Bem mais e melhor que você.'
Respira fundo e acorda de um pesadelo. Quase que afogada por ele, quase que dolorida por ele.
Não foi de abandono nem mágoa. Foi pesadelo comum, fictício. Mas tomou-lhe o fôlego.
Apenas foi algo que lhe proporcionara uma emoção naquela manhã. Para que o coração batesse mais forte, latejando quente. Queimando desde a boca do estômago, e ela então sentisse: estou viva!

Susto! Era mania sua dramatizar até pequenos sustos! Vontade gutural de sentir-se emocionada em tudo.
Como se o fio de cada dia, fosse o último fio da vida. Desses fios que cortam, ferem.
Desarmada, arranhada, assustada abriu a boca e disse: 'Mal sei como é viver, e amanheço assim quase morta?'




Mas, quanta angústia nessas palavras, nessas perguntas, pensamentos!
É que não sabemos viver sem o mistério. Sem cantar o mistério. Sem escrever sombrio os pensamentos difíceis que nos surgem.

Sim, ela pensa assim como eu. Acordar de um pesadelo sem que estejamos nem um pouco dormindo.

Uma confissão. Uma decepção. Um telefonema. Um novo amor.
Teus beijos. Teus erros. Tua raiva. Minha Raiva.

Por desejo, não por que te quero.

Então, essa extensão exagerada de palavras não é uma carta de amor.
É uma história fictícia de um pesadelo fictício.
Um deleite em pensamentos que nunca existiu.