quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
de cinzas
com raiva acordou engradecido com o suspiro que deu ontem.
afinal, raiva não é um sentimento ruim.
é desbravador.
até estourar-me as veias.
eu não publico suspiros, por que eles podem ser perigosos.
acordou engrandecido, mas com vontade de ser um feijão.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Para quem eu canto

percebo infinita cor de um querer
Leve e naturalmente bem querer...
Eles que me fitam e eu não sei
Se é brumoso esse teu olhar
Verdadeiro e súbito duvidoso
Faz até em mim lacrimejar
Agora é teu pulso que me fita
e chacoalha pra eu te olhar
Esses olhos que já são meus
São também vidros a me cortar
É gostoso ouvir a tua voz
quando ela insiste em me chamar
E eu insana e loucamente
Penso que é só meu esse teu cantar
Mas agora vejo um pouco torto
e começo a me acostumar
Esses olhos que eram só meus
Voam longe quando quero te amar
domingo, 17 de janeiro de 2010
Até um bicho lida com o tempo!
Em tempo dos tempos...
O tempo transcende a própria matéria do concreto
Penetra na áurea do etéreo
Atinge a alma humana
Transborda de palavras até o tempo do sempre
Tempo... Que no sertão arcaico é tão misterioso
Que pro navegante sertanejo
É linguagem da terra
Tempo...
Pra José, pra Francisquinha
Pros Josés, pras Marias
Valdevinos divinos transcendentes
Ascendentes
Depositados no mundo
Sempre a margem, sempre a beira...
... dos sonhos, das esperas, das saudades...
Dos seus heróis (pais, avós...)
Sempre fazendo ausência
Pra eles, pra nós, pra mim
A morte e a vida
Pulsam feito vagalumes
Piscando na noite
Nos encontros o tempo é suspenso
A alegria é ali
Em mãos, abraços
Miligramas de palavras
Tempo...
Num salão a sombra de uma mangueira
Onde o real não pertence a realidade...
Vida!
Explode... engolindo auroras para festa não acabar...
Eruditos, vagabundos dionisíacos
Vocês... como a arte e o amor
São o desequilíbrio da vida!
( Guardamos cá um segredo, do lado esquerdo do peito, uma boa dosagem de uma delirante Vida Valdeviniana)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Harold and Maude/ Ensina-me a viver

Já faz algum tempo. Que eles me tocaram fundo na alma. Que eu os descobri. Mas todas vez que os vejo, que os assisto, parece que está sendo a primeira vez. Emocionalmente trava-me os dentes. Aperta bem profundamente aquele negociozinho no peito. Aperta.
Logo depois consegui quase impossivelmente aqui num sebo perto da minha casa a raridade magnífica deste livro. E eu claro, né? tomei posse... Meu livro. Meu.
E por quê me toca tanto? Por que eu amo amar. Por que eu escuto o amor. Por que são as pequenas coisas da vida que preenchem algo maior dentro de nós. E isso é grandioso. Explode dentro de mim. Não precisamos nos prender a coisas supérfluas que atrasam nossas relações humanas. Basta que deixemos acontecer. Como um percusso natural das coisas como tudo que há na Natureza. E o que realmente importa é aquilo que grita dentro da gente. Cabe a nós escutar...
quarta-feira, 11 de março de 2009
Em estudos no Grupo Expressões Humanas...
DA LEITURA E DEBATE DO TEXTO “TEATRO E RITUAL” DO JERZY GROTOWSKI, CONFERÊNCIA FEITA
Por Marina Brito
Compreendemos e aprendemos que em uma das suas mais primitivas origens, o teatro surgiu de cerimônias e rituais religiosos. Assim vemos na Grécia esse surgimento a partir dos cultos ao deus Dionísio e do ditirambo. Patrice Pavis nos explica que, o teatro por si só já se estabelece num ritual para acontecer: o processo da montagem, a escolha do assunto, a preparação do ator, a relação com o público, etc.
No texto, Jerzy Grotowski aborda e defende no início da sua pesquisa no grupo o retorno ao ritual, não no sentido primitivo na qual já falamos, mas no reencontro desse teatro com o mito, bem como a participação das duas partes, atores e espectadores.
Na busca por um “teatro vivo” e em confronto com o mito, Grotowski considerava que só poderia aproximar o teatro do ritual se o mesmo desprendesse do próprio ritual primitivo. Só assim encontraria o caminho de uma “apresentação sagrada”, de um acontecimento único, assim como o “desnudamento sacrifical” do ator. Ou seja, a busca do ator por um desvelamento de sim mesmo. Quebrar a dissociação entre corpo e alma, entre racional e instinto, entre o consciente e o inconsciente, etc.
O ator deve se encontrar em tempo presente, penetrar no seu próprio corpo e na suas experiências não só como ator, mas como ser humano. É preciso que desapareça da consciência do ator o sentido do antes e do depois no momento do ato teatral. Ele precisa estar presente em cada momento. Por isso, a importância da construção da partitura, dessa preparação que irá estabelecer a concentração do ator no que faz, como no seu corpo e voz.
Parece-me que dessa forma Grotowski nos faz chegar ao resultado de que, para obtermos o ritual teatral precisamos separar o conceito primitivo de ritual religioso para chegar ao ritual humano. O ator não apenas como o ator e sim como ser humano, “vivo”. “Através do ato e não da fé.” Concluo que, não apenas a co-participação coletiva direta ou indireta, mas a troca estabelecida entre as duas partes, a elaboração e apresentação de signos, e a relação precisa e cúmplice com os “espectadores testemunhas”.
O teatro laboratório de Jerzy Grotowski 1959-1969/ Textos e materiais de Jerzy Grotowski e Ludwik Flaszen com um escrito de Eugênio Barba; curadoria de Ludwik Flaszen e Carla Pollastrelli com a colaboração de Renata Molinari; tradução para o português Berenice Raulino. -- São Paulo: Perspectiva: SESC; Pontedera, IT: Fondazione Pontedera Teatro, 2007.
