quarta-feira, 24 de março de 2010
o batom.
meu corpo o suga ardente.
o perfume.
meu peito o agarra e aperta.
o coração.
depois, vem você dizendo:
"no amor, o muito é pouco"
o pouco já é muito.
sexta-feira, 19 de março de 2010
dentre outras coisas lindas da vida.
dentre outras coisas essa música.
dentre outras coisas ela é linda.
dentre outras coisas eu falo através dela.
ESTRADA DO SERTÃO
joão pernambuco e hermínio bello de carvalho
Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber
Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você
Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor
Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.
Canta firme juriti
Vê se entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem junto do meu coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vóis meçê
Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.
quarta-feira, 17 de março de 2010
por que pra mim não pensar dói.
é engraçado, que antes de ter saudade
já estou com ela deitada, deleitada na sua angústia.
espero a menos uma despedida visual
até por que olhos não se despedem,
choram.
essa semana serei toda água.
mar.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
de cinzas
com raiva acordou engradecido com o suspiro que deu ontem.
afinal, raiva não é um sentimento ruim.
é desbravador.
até estourar-me as veias.
eu não publico suspiros, por que eles podem ser perigosos.
acordou engrandecido, mas com vontade de ser um feijão.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Para quem eu canto

percebo infinita cor de um querer
Leve e naturalmente bem querer...
Eles que me fitam e eu não sei
Se é brumoso esse teu olhar
Verdadeiro e súbito duvidoso
Faz até em mim lacrimejar
Agora é teu pulso que me fita
e chacoalha pra eu te olhar
Esses olhos que já são meus
São também vidros a me cortar
É gostoso ouvir a tua voz
quando ela insiste em me chamar
E eu insana e loucamente
Penso que é só meu esse teu cantar
Mas agora vejo um pouco torto
e começo a me acostumar
Esses olhos que eram só meus
Voam longe quando quero te amar
domingo, 17 de janeiro de 2010
Até um bicho lida com o tempo!
Em tempo dos tempos...
O tempo transcende a própria matéria do concreto
Penetra na áurea do etéreo
Atinge a alma humana
Transborda de palavras até o tempo do sempre
Tempo... Que no sertão arcaico é tão misterioso
Que pro navegante sertanejo
É linguagem da terra
Tempo...
Pra José, pra Francisquinha
Pros Josés, pras Marias
Valdevinos divinos transcendentes
Ascendentes
Depositados no mundo
Sempre a margem, sempre a beira...
... dos sonhos, das esperas, das saudades...
Dos seus heróis (pais, avós...)
Sempre fazendo ausência
Pra eles, pra nós, pra mim
A morte e a vida
Pulsam feito vagalumes
Piscando na noite
Nos encontros o tempo é suspenso
A alegria é ali
Em mãos, abraços
Miligramas de palavras
Tempo...
Num salão a sombra de uma mangueira
Onde o real não pertence a realidade...
Vida!
Explode... engolindo auroras para festa não acabar...
Eruditos, vagabundos dionisíacos
Vocês... como a arte e o amor
São o desequilíbrio da vida!
( Guardamos cá um segredo, do lado esquerdo do peito, uma boa dosagem de uma delirante Vida Valdeviniana)
