quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Domínio.

Muito ódio. Muito ópio. Muito do óbvio.
O que está acontecendo com a gente?

As palavras não soam mais calmaria, não deslizam mais como água,
não cariciam mais nosso corpo.

Elas só mentem, somente.
Ressoam agudos absurdos, surdos de raiva e rancor.

Jogo de Poder, salve-se quem Puder!

domingo, 22 de setembro de 2013

Daquilo que não há sinônimo.




É que tento fazer uma história.
Uma biografia dos meus sonhos.

Mas, a fôrma limita o bolo.
E as coisas tornam-se finitas, presas as margens.
As coisas no sentido de tudo.
E tudo no sentido do que sentimos.
E o que sentimos no sentido do que queremos.

Existe alguma explicação para quando sentimos que queremos tudo?
Ou há no que sentimos alguma explicação para quando não queremos nada?

Não, não há sentido pra estas coisas.
Porque coisa é uma coisa que não tem explicação.
Os sonhos são coisas.
E são também coisas o que nós somos.

Uma partícula miserável do universo.

Não quero parecer pessimista.
Não sou a primeira pessoa a pensar assim.
Mas, não existe no mundo aquela 'coisa' que chamamos liberdade.
Todas as estranhas formas que vivemos nos limitam de sentidos.
E o que existe no que queremos são possíveis imagens que nos projetam.

Não. Eu estou enganada!

Há na assadura do bolo, aquele cheiro que percorre a casa e invade a sala do vizinho.
Há nesse cheiro, aquela vontade doce que enche a boca d'água.
Há naquela boca o prazer do sabor.
Há no sabor um sentido de desejo.

O que eu desejo não é o que eu vejo.
Nada que limita, reprime o cheiro da liberdade.
Talvez por isso, necessitamos sonhar.




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fome

Ontem deixei um choro
Amarrado à minha garganta
E ao bocejar hoje, pela manhã,
Engoli.

O fato é que não tenho ideia
De como digerir uma tristeza,
Que mal sabia eu,
O que ela era.

Eu acho que escondo
Todos os dias
Aquele verbo
Que alimenta a vida.

Porque parece que eu
Não estou sentindo
Nem as gotas de um banho de chuva
Que tomei agora a tarde.

Ela, que talvez banhasse
Os meus espaços vazios
Pingava compassadamente
Pra não tocar nem meus olhos.

Eu não comi minha alegria
Eu não comi meu sabor
Eu não comi o que acredito
Eu não comi minha coragem.

Senão, estaria tudo dentro de mim
Queimando junto,
Junto à acidez do meu estômago
E eu me sentiria viva.

E viva não estou!
Não estou, porque não há verdade
Que dê limite ao meu corpo:
Aos poucos, acho que deixo ele ir...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

comentário inútil

voz de sal.
e salgada saiu na fala por que falava de mim pra outro.
e eu me calei.
aquela água do mar que você engole depois de um mergulho ruim.
não sei onde vai minha vontade. ela vive em mim, mas não sei onde ela se esconde.
ela se esconde. mesmo quando não a procuro.
 não tem nada doce aqui. é gosto de sal mesmo.
e áspero, por que parece não pronunciar-me.

não tem querer, nem vontade de escrever.


sábado, 7 de abril de 2012

Miragem


E eu não entendia o rodopio do catavento...


Infindo no início era o começo que terminava.
E aí eu buscava o retorno pra tudo isso e a música não parava de rodar no disco, mesmo fora da tomada.

Eu precisava era de uma energia frouxa que me arrancasse do peito um sentimento denso e confuso que parava o tempo e me fazia franzir a testa. E a ansiedade doce daqueles dias havia me dado dor de cabeça. Eu precisava era voltar mesmo para o início, e evitá-lo ser.

Meu corpo foi sempre percusso de caminhos tortuosos e inexatos. Pedregulhos de ilusões e confusões de uma cabeça que não sabe ao certo o que é o amor. Inocência adulta e imatura. E assim sempre num retorno de algo que nunca começa. Porque se engancha engasgada na garganta. Arranhando, sabe? E ardendo feito pimenta besta de beira de estrada.

Eu sempre sei quando começa essa coisa que não passa, mas se finda. Começa quando não sei onde dizer, e tudo fica incerto, parado, numa poesia. Assim se precisa de distância pra encontrar a artificialidade do verbo. O que se diz tem que ser amado de imediato. Depois se esquece, por que vira matéria que não se guarda.

Eu guardei, e agora perco, solto, pois encontrei o inverso disso. Porque agora entendi. E entender, pra mim, é violação de uma utopia.

Na demora quando eu entendo é o fim infindo de um começo.

Continua.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Arrudiando"


Tenho em mim o que se agrava a cada instante.
O que falo precipita o meu sentimento diante das coisas.
É o que se agrava. Precipitação.
Pareço sonhar-me, idolatria própria. Quando ponho os olhos no que quero.
Os olhos de mim, não os que tenho a vista.
O que acumula quando quero, vem de dentro pra fora. Não sei segurar.
Desejo. Não sei segurar.
Desejo foi feito pra ganhar liberdade. E nem existe liberdade sem desejo.
Agrava e acumula. É assim que meu corpo acorda todos os dias. Acumulado. Não sei de quê.
Mas sei. Meu orgulho é que esconde.

Necessito mais de mim. Ou do mim, á mim. Minto.
Essa é uma 'desqualidade' agravada que tenho. Minto sim.
E qual seria minha qualidade se não mentisse a verdade?
Não é defeito. É falta de qualidade. 

Quem tem orgulho mente a si mesmo. E comemora as vitórias desqualificadas de uma mentira.

Hoje, o dia anoitece que nem dor miúda. Aquela que só a gente sabe onde dá.
Que só a gente sabe omitir ou mentir.

Boa noite. Insisto: Boa noite.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Olhos ávidos


Há miudezas em seu copo. Mesmo quando depois de um gole você me sorri satisfação.
Tantas vezes que eu enxerguei isso sem entender pensamentos líquidos.
Eu não sei gracejar. Também não sei o que significa disfarçar como sujeito de um verbo humano.
Existem aflições entre o que eu falo e entre o que meu olhar quer dizer. O que eu vejo não fala, ainda vai sempre querer dizer-te algo.

A verdade. Por que eu sempre minto no começo. A verdade é que existe querer aproximado bem dentro dessa distância.

Me causa uma disritmia esse tempo decorrido. Pueril quando retorna e retoma um afeto.
Ê tempo sem medidas, sem sossego.

Um silêncio que não cabe de tão grande entre as medidas dos nossos copos-corpos. Que se derrama quando a gente pensa no quê. No quando. No que vemos, e em qual distância e se esvai, ou se espalha como fogo em palha. E tem beleza nisso tudo, mesmo na sua forma efêmera. Beleza nesse querer e nessa distância. Beleza como num tempo em que se abrisse num sorriso largo e me envolvesse de calor.

Calor é febre de desejo, de embrulho no estômago, de sentir um azedo beijo doce num limão.