domingo, 17 de janeiro de 2010

Até um bicho lida com o tempo!


Em tempo dos tempos...

O tempo transcende a própria matéria do concreto

Penetra na áurea do etéreo

Atinge a alma humana

Transborda de palavras até o tempo do sempre

Tempo... Que no sertão arcaico é tão misterioso

Que pro navegante sertanejo

É linguagem da terra

Tempo...

Pra José, pra Francisquinha

Pros Josés, pras Marias

Valdevinos divinos transcendentes

Ascendentes

Depositados no mundo

Sempre a margem, sempre a beira...

... dos sonhos, das esperas, das saudades...

Dos seus heróis (pais, avós...)

Sempre fazendo ausência

Pra eles, pra nós, pra mim

A morte e a vida

Pulsam feito vagalumes

Piscando na noite

Nos encontros o tempo é suspenso

A alegria é ali

Em mãos, abraços

Miligramas de palavras

Tempo...

Num salão a sombra de uma mangueira

Onde o real não pertence a realidade...

Vida!

Explode... engolindo auroras para festa não acabar...

Eruditos, vagabundos dionisíacos

Vocês... como a arte e o amor

São o desequilíbrio da vida!

( Guardamos cá um segredo, do lado esquerdo do peito, uma boa dosagem de uma delirante Vida Valdeviniana)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Harold and Maude/ Ensina-me a viver


Já faz algum tempo. Que eles me tocaram fundo na alma. Que eu os descobri. Mas todas vez que os vejo, que os assisto, parece que está sendo a primeira vez. Emocionalmente trava-me os dentes. Aperta bem profundamente aquele negociozinho no peito. Aperta.
Sou de me apegar as coisas e tomar como posse como se fosse feito só pra mim. E Este definitivamente é meu filme.
Logo depois consegui quase impossivelmente aqui num sebo perto da minha casa a raridade magnífica deste livro. E eu claro, né? tomei posse... Meu livro. Meu.

E por quê me toca tanto? Por que eu amo amar. Por que eu escuto o amor. Por que são as pequenas coisas da vida que preenchem algo maior dentro de nós. E isso é grandioso. Explode dentro de mim. Não precisamos nos prender a coisas supérfluas que atrasam nossas relações humanas. Basta que deixemos acontecer. Como um percusso natural das coisas como tudo que há na Natureza. E o que realmente importa é aquilo que grita dentro da gente. Cabe a nós escutar...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Em estudos no Grupo Expressões Humanas...

DA LEITURA E DEBATE DO TEXTO “TEATRO E RITUAL” DO JERZY GROTOWSKI, CONFERÊNCIA FEITA EM OUTUBRO DE 1968.

Por Marina Brito

Compreendemos e aprendemos que em uma das suas mais primitivas origens, o teatro surgiu de cerimônias e rituais religiosos. Assim vemos na Grécia esse surgimento a partir dos cultos ao deus Dionísio e do ditirambo. Patrice Pavis nos explica que, o teatro por si só já se estabelece num ritual para acontecer: o processo da montagem, a escolha do assunto, a preparação do ator, a relação com o público, etc.


No texto, Jerzy Grotowski aborda e defende no início da sua pesquisa no grupo o retorno ao ritual, não no sentido primitivo na qual já falamos, mas no reencontro desse teatro com o mito, bem como a participação das duas partes, atores e espectadores.

Na busca por um “teatro vivo” e em confronto com o mito, Grotowski considerava que só poderia aproximar o teatro do ritual se o mesmo desprendesse do próprio ritual primitivo. Só assim encontraria o caminho de uma “apresentação sagrada”, de um acontecimento único, assim como o “desnudamento sacrifical” do ator. Ou seja, a busca do ator por um desvelamento de sim mesmo. Quebrar a dissociação entre corpo e alma, entre racional e instinto, entre o consciente e o inconsciente, etc.


O ator deve se encontrar em tempo presente, penetrar no seu próprio corpo e na suas experiências não só como ator, mas como ser humano. É preciso que desapareça da consciência do ator o sentido do antes e do depois no momento do ato teatral. Ele precisa estar presente em cada momento. Por isso, a importância da construção da partitura, dessa preparação que irá estabelecer a concentração do ator no que faz, como no seu corpo e voz.


Parece-me que dessa forma Grotowski nos faz chegar ao resultado de que, para obtermos o ritual teatral precisamos separar o conceito primitivo de ritual religioso para chegar ao ritual humano. O ator não apenas como o ator e sim como ser humano, “vivo”. “Através do ato e não da fé.” Concluo que, não apenas a co-participação coletiva direta ou indireta, mas a troca estabelecida entre as duas partes, a elaboração e apresentação de signos, e a relação precisa e cúmplice com os “espectadores testemunhas”.


O teatro laboratório de Jerzy Grotowski 1959-1969/ Textos e materiais de Jerzy Grotowski e Ludwik Flaszen com um escrito de Eugênio Barba; curadoria de Ludwik Flaszen e Carla Pollastrelli com a colaboração de Renata Molinari; tradução para o português Berenice Raulino. -- São Paulo: Perspectiva: SESC; Pontedera, IT: Fondazione Pontedera Teatro, 2007.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


POVO KARAJÁ

O povo Karajá ou Iny, são os guardiões do Rio Araguaia, de onde seus ancestrais vieram, das águas do Araguaia à superfície da terra. Vivem na Ilha do Bananal em Tocantins.

Caracterizam-se por um ritual com suavidade e força de um canto diversificado de vozes e sons. A dança é marcada por uma precisão de gestos, signos e repetição. Há uma sintonia natural em todo ritual entre eles e os que assistem ou compartilham.

Estão no projeto Rito de Passagem, e fui assisti ontem no Dragão do Mar.

sábado, 18 de outubro de 2008

Três em um... para entendermos Medéia...

fotos: Jasão e os Argonautas, Medéia, e a entrega do tosão de ouro (velocino de ouro).


Os mitos: O Velocino de Ouro, Jasão e os Argonautas, e Medéia.

O ciclo dos Argonautas se organizou em volta da pessoa de Jasão, herói tipicamente tessaliano, descendente de Eólio. Seu pai, Aesão, ou Esão, era rei de Iolcos que ficava ao pé do monte Pélion. Ele havia sido destronado pelo seu meio-irmão Pelias, filho de Poseidon. Jasão, como a maioria dos heróis lendários, havia sido criado pelo Centauro Quirón, que lhe ensinara, entre outras ciências, a medicina. Quando se tornou adulto, Jasão apresentou-se à corte de Iolcos, sem revelar sua identidade. Coberto com uma pele de pantera segurava duas lanças e tinha o pé esquerdo descalço. Seu tio Pelias, celebrava um sacrifício e quando o viu lembrou-se de um oráculo que lhe aconselhara em tomar cuidado com o "homem de uma sandália só". Perguntou-lhe então, que castigo imporia a um súdito que conspirasse contra seu rei. Jasão respondera que o mandaria conquistar o velocino de ouro. Pelias dissera então, que de acordo com todas as probabilidades ele, Jasão era o súdito e culpado, acabando por condenar a si próprio.

O Velocino de Ouro, na qual sua conquista era tão temível, era então, um carneiro divino alado que Hermes dera de presente a Nefele, a primeira mulher do rei Atamas. Quando Ino a segunda mulher do rei, conseguiu com suas maquinações, que os dois filhos de Nefele, Frixo e Hele, fossem sacrificados para livrar o país de uma pretensa esterilidade, Nefele os dera o carneiro divino, que os levou pelos ares, para salvá-los. Durante a viagem Hele caíra no mar e afogara-se, tomando assim, o estreito, o nome de Helesponto (o mar de Hele). Mas seu irmão Frixo chegou a salvo na região do Cáucaso, em Colcos, onde, no bosque sagrado de Ares, sacrificou o carneiro a Zeus e consagrou o velo animal que era de lã de ouro. O rei de Colcos, Eete guarda ciosamente o velocino.

Esse era o castigo imposto por Pélias a Jasão, a conquista desse velocino. Jasão então começou a organizar a expedição e pediu ajuda a Argos, filho de Frixo. E aconselhado por Atena, Argos começou a construir uma embarcação. Esse barco, A Nave Argos, possuía propriedades maravilhosas. Jasão reuniu um grande número de companheiros, que se chamavam os Argonautas ou navegantes de argos. Tornaram os principais heróis da idade imediatamente anterior à Guerra de Tróia. Os argonautas mais célebres que desempenharam papéis importantes na aventura são o cantor trácio Orfeu, os filhos de Boreas, Calai e Zetes, os filhos de Tíndaro, Castor e Pólux, e seus primos, Idas e Linceu, filhos de Afareu. O adivinho oficial da expedição era Idmon, filho de Arbas.

A viagem começou favorável. A primeira escala foi a ilha de Lemnos, onde nessa época, só encontravam-se mulheres. Estas, devido a uma praga de Afrodite, haviam suprimido a todos os homens e encontravam dificuldades de perpetuar a raça. Os Argonautas foram bem acolhidos e lhe deram filhos. Depois se dirigiram para o Helesponto. O rei dos Doliões, Cizico, os recebeu com hospitalidade em sua terra. Porém, na noite seguinte quando os argonautas continuaram sua viagem ventos contrários os trouxeram de volta e os Doliões, por causa da noite escura, não os reconheceram e investiram contra eles tomando por piratas. Na luta Cizico, o rei, foi morto por Jasão. Quando o dia clareou, todos perceberam o engano e reconheceram seus erros. Os Argonautas, durante três dias fizeram magníficos funerais a o rei e deram jogos fúnebres em sua honra.

Em outra das etapas, no país de Bebricios, Pólux foi desfiado pelo rei Amico e venceu. No dia seguinte, Argo foi apanhada por uma tempestade e obrigada a fazer escala na costa da Tracia, no reino de Fineu. Era este um adivinho cego, a quem os deuses tinham lançado uma singular praga: cada vez que punham a sua frente uma mesa coberta de finos manjares, as Harpias, que são seres rapazes, precipitavam-se sobre eles, e tomavam uma parte e sujavam com seus excrementos o que não podiam levar. Os Argonautas pediram a Fineu que os informasse sobre o resultado da expedição. Mas Fineu só falaria se eles o livrassem das Harpias. Calais e Zetes, que eram alados, foram atrás dos monstros, os alcançando nas ilhas Strofades, lhes fizeram jurar por Stix que nunca mais importunariam o rei. Fineu então revelou aos seus libertadores que ficassem atentos as Rochas Azuis (as Cianéas) que podiam esmagar a sua embarcação, pois eram rochedos errantes que se chocavam uns contra os outros na passagem dos navegantes.

Assim, quando encontram o rochedo os navegantes, para ver a escolha dos deuses, soltaram uma pomba que vôo em direção da Cianéas que se fecharam e só arrancaram uma peninha da cauda da ave. Os argonautas tentaram a passagem e quando as cochas fecharam apenas uma tábua da proa foi danificada. As Cianéas desde dessa época permaneceram imóveis, pois o seu destino queria que o movimento se findasse logo após que uma embarcação passasse por elas. Após algumas outras escalas eis que os argonautas chegam ao reino de Eetes, em Colcos. Jasão expôs o motivo de sua vinda. Eetes não recusou o pedido, mas antes de lhe entregar o velocino de ouro, impôs como condição ao Herói, sem nenhum auxílio, subjugasse dois touros de cascos de bronze que sopravam fogo pelas ventas e de uma velocidade estrema. O rei que esperava que o herói desistisse, acrescentou mais uma prova, deveria com os dois touros lavrar um campo e semear nele os dentes do dragão de Ares.

Jasão sem saber ficou pensado em com venceria esses monstros, quando a filha do rei, Medéia, veio em seu auxílio, deu-lhe um bálsamo mágico com o qual deveria usar para evitar queimaduras e se tornar invulnerável. Assim premunido Jasão conseguiu domar os dois touros, lavrar o campo e semear os dentes. Destes dentes saiu uma messe humana, de guerreiros armados, como lhe havia avisado anteriormente Medéia, Jasão então lançou sobre eles uma pedra, então os guerreiros acusaram-se entre si e mataram-se uns aos outros.

Porém o rei não cumpriu com a sua palavra e estava prestes a incendiar Argo quando Jasão apoderou-se do velocino com a ajuda de Medéia e fugiu. Levou Medéia consigo que por sua vez, levou seu irmão menor Absirto. Para atrasar as buscas do rei, Medéia matou seu irmão espalhando os membros pelo mar. Eetes que se demorara a recolher, quando terminou já era tarde para alcançar os fugitivos.

Os argonautas penetraram de novo no Mediterrâneo. A voz de Argos lhes revelara que Zeus estava muito irritado com o assassínio de Absirto e que eles deviam purificar-se junto da maga Circe, que era irmã de Eetes e, por conseguinte tia da criança e Medéia. Obedecendo, fizeram escala na terra de Circe. Circe os purificou e o navio pode seguir caminho. Atravessando o mar das sereias Orfeu cantou uma melodia tão bela que ninguém teve vontade de ouvir a voz das feiticeiras. Uma tempestade os arrastou para as praias das Sirtas, na costa da Líbia. Tiveram para abrigar-se de transportar o navio nos ombros até o lago Tritão, deus do lago, mostrou-lhes então uma saída pela qual foram ter o mar aberto. De lá quiseram abordar Creta, mas o gigante Talo, cujo corpo era de bronze, proibiu-lhes o acesso da ilha. Então Medéia, com suas bruxarias, tanto fez, que Talo rasgou seu tornozelo nas rochas (seu único ponto vulnerável) e morreu. Os argonautas acamparam a margem depois de e erguerem um santuário a Atenas Minoana. Por fim mais um dia de mar e chegaram de volta a Iolcos.

Mas, as aventuras de Medéia e Jasão não terminaram. Medéia decidiu vingar-se de Pelias e persuadiu suas filhas que poderia rejuvenescer seu pai. Para isso, mostrou-lhes um velho carneiro, Medéia o matou e ferveu-o num caldeirão com ervas mágicas, dali sal um carneirinho novo. Então as filhas de Pelias esquartejaram o pai e o ferveram. Mas, Pelias não mais voltou.

Jasão e Medéia após esse crime foram banidos de Iolcos e retiraram-se para Corinto, onde viveram algum tempo, até o dia em que o rei do país, Creonte, quis dar sua filha em casamento a Jasão. Medéia, sofrendo de amor, fingiu consentir, e entregou a sua rival uma roupa impregnada de venenos que a abrasou e incendiou o palácio todo. Para completar sua vingança a Jasão, matou seus próprios filhos que teve com ele e fugiu num carro volante. No fim da vida, após uma estada em Atenas, junto de Egeu, pai de Teseu, a vemos de novo em Colcos, onde restitui o reino a Eetes, que havia sido despojado pelo irmão Perses.


Leitura do livro Mitologia Grega de Pierre Grimal